20100118

PhD...Late Holocene Environmental Change at the Quiaios-Tocha coastal plain.

Foi defendida no dia 15 de Janeiro a tese de doutoramento de Randi Danielsen no Centro de Biologia da Universidade do Minho.



Late Holocene Environmental Change at the Quiaios-Tocha coastal plain.

Orientadores:
Doutor José Eduardo Ribeiro do Rosário Mateus
Professor Doutor Pedro Alexandre Faria Fernandes Teixeira Gomes




Artigos aceites para publicação/publicados :

Danielsen, R. 2009. Dissimilarities in the recent histories of two lakes in Portugal explained by local-scale environmental processes. Accepted by Journal of Paleolimnology May 2009, Published online June 2009.


Danielsen, R., Castilho, A., Dinis, P., Almeida, A.C. 2009. Holocene interplay between a dune field and coastal lakes in the Quiaios – Tocha region, central littoral Portugal. Submitted to Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology April 2009


Danielsen, R., 2008. Palaeoecological development of the Quiaios–Mira dunes, northern-central littoral Portugal. Review of Palaeobotany and Palynology 152, 74-99.





20100113

vídeo...Grilo polinizador de plantas




Grilo polinizador de plantas Estudo

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=38674&op=all


Grilo polinizador de plantas

Estudo publicado na revista «Annals of Botany»

Uma câmara de alta sensibilidade de gravação nocturna registou um grilo que poliniza plantas, na Ilha da Reunião, no Oceano Índico. A captação de imagens foi realizada por uma equipa de investigadores, da universidade local, do Real Jardim Botânico britânico e da Universidade de Estrasburgo, e cujos resultados foram publicados na revista «Annals of Botany».

A descoberta desta espécie de Glomeremus de hábitos nocturnos foi feita quando os cientistas estudavam um tipo raro de orquídea, e apesar de ainda estar a aguardar a atribuição de um nome científico, o grilo já é conhecido localmente por Raspy cricket.

Até hoje não tinha sido cientificamente comprovado que estes pudessem fazer de agente polinizador, apenas eram conhecidos como devoradores de plantas. A polinização das flores na ilha era um mistério, e aquando da visualização das imagens, os investigadores verificaram que transporta as bolas de pólen na cabeça e que são bastante eficazes, já que a cabeça do bicho corresponde ao canal do néctar da orquídea.

Para além desta particularidade, esta espécie tem a característica de viver num lugar fixo, porque normalmente os grilos vão mudando de local à medida que procuram comida. Tem entre dois e três centímetros e longas antenas na cabeça.

20100112

30,000-year-old teeth shed new light on human evolution

http://www.bris.ac.uk/news/2010/6777.html






30,000-year-old teeth shed new light on human evolution

The teeth of a 30,000-year-old child are shedding new light on the evolution of modern humans, thanks to research from the University of Bristol published this week in PNAS.
The teeth are part of the remarkably complete remains of a child found in the Abrigo do Lagar Velho, Portugal and excavated in 1998-9 under the leadership of Professor João Zilhão of the University of Bristol.  Classified as a modern human with Neanderthal ancestry, the child raises controversial questions about how extensively Neanderthals and modern human groups of African descent interbred when they came into contact in Europe.‘Early modern humans’, whose anatomy is basically similar to that of the human race today, emerged over 50,000 years ago and it has long been the common perception that little has changed in human biology since then.
When considering the biology of late archaic humans such as the Neanderthals, it is thus common to compare them with living humans and largely ignore the biology of the early modern humans who were close in time to the Neanderthals.
With this in mind, an international team, including Professor Zilhão, reanalysed the dentition of the Lagar Velho child (all of its deciduous – milk – teeth and almost all of its permanent teeth) to see how they compared to the teeth of Neanderthals, later Pleistocene (12,000-year-old) humans and modern humans.
Employing a technique called micro-tomography which uses x-rays to create cross-sections of 3D-objects, the researchers investigated the relative stages of formation of the developing teeth and the proportions of crown enamel, dentin and pulp in the teeth.
They found that, for a given stage of development of the cheek teeth, the front teeth were relatively delayed in their degree of formation.  Moreover, the front teeth had a greater volume of dentin and pulp but proportionally less enamel than the teeth of recent humans.
The teeth of the Lagar Velho child thus fit the pattern evident in the preceding Neanderthals, and contrast with the teeth of later Pleistocene (12,000-year-old) humans and living modern humans.
Professor Zilhão said: “This new analysis of the Lagar Velho child joins a growing body of information from other early modern human fossils found across Europe (in Mladeč in the Czech Republic, Peştera cu Oase and Peştera Muierii in Romania, and Les Rois in France) that shows these ‘early modern humans’ were ‘modern’ without being ‘fully modern’.  Human anatomical evolution continued after they lived 30,000 to 40,000 years ago.”
The team was led by Priscilla Bayle (Muséum National d’Histoire Naturelle, France) and Roberto Macchiarelli (Université de Poitiers, France) and included Erik Trinkaus (Professor of Anthropology at Washington University, St.-Louis, Cidália Duarte (Câmara Municipal do Porto, Portugal), and Arnaud Mazurier (CRI-Biopôle-Poitiers, France).
Paper
Dental maturational sequence and dental tissue proportions in the early Upper Paleolithic child from Abrigo do Lagar Velho, Portugal by Priscilla Bayle, Roberto Macchiarelli, Erik Trinkaus, Cidália Duarte, Arnaud Mazurier, and João Zilhão.  PNAS

20100105

Dez descobertas científicas de 2009 com selo português

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1460158


Dez descobertas científicas de 2009 com selo português


Das perspectivas de tratamento de doenças como o cancro à descoberta de novas espécies
Investigadores portugueses, dentro ou fora de portas, marcaram pontos em 2009. Alguns estiveram mesmo na base de descobertas de grande impacto internacional. A detecção de ADN com uma vulgar impressora, a descodificação do genoma do cancro da mama ou a descoberta de novos planetas são alguns dos avanços envolvendo cientistas nacionais que marcaram o ano que terminou.
Descodificador do genoma do cancro da mama, em português
"Foi como passar o dia todo a subir uma montanha e, no fim, chegar ao cume e admirar aquela paisagem toda." Foi assim que Samuel Aparício descreveu ao DN o momento em que percebeu que ele e a sua equipa do BC Cancer Agency tinham descodificado o genoma do cancro da mama. Uma descoberta que pode abrir portas para um tratamento diferenciado de cada fase do cancro, explica o investigador, que promete continuar a trabalhar nesta investigação: "Foi um primeiro passo. Mas há muito para fazer." Nascido em Lisboa, mas a viver desde os cinco anos em Inglaterra - os pais emigraram de Vila Franca de Xira para Leeds -, a sua formação médica foi feita entre as afamadas universidades de Cambridge e Oxford. Com a sua equipa descodificou o genoma do cancro da mama, o que lhes valeu aparecer na capa da Nature. A motivação para se dedicar ao tema foi pessoal. A morte da mãe com cancro da mama, quando Samuel fazia o estágio em Medicina interna e patológica, foi um dos impulsos para seguir a investigação oncológica.
Sensor de ADN barato e amigo do ambiente
Já do mesmo "forno" do célebre transístor de papel português saiu, em 2009, um sensor de ADN barato e amigo do ambiente. Pela primeira vez foi estabelecido um método de detecção de ADN usando uma vulgar impressora de jacto de tinta, com recurso a materiais e tecnologia de baixo custo. O novo sensor, desenvolvido por uma equipa conjunta dos departamentos de Ciência dos Materiais e Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, foi publicado pela revista Biosensors and Bioelectronics. Um trabalho feito por cientistas nacionais e em Portugal. A aplicação prática deste sensor consiste na sua inclusão num sistema de diagnóstico "que pode prevenir, fazer um rastreio de uma forma extremamente simples, rápida e barata, e detectar se as pessoas estão doentes ou não", explicou Elvira Fortunato, especialista em microelectrónica.
Portugal tem o maior conjunto de fósseis de trilobites do mundo
O País entrou, em 2009, no mapa da paleontologia com o maior e mais completo conjunto de fósseis de trilobites do mundo. Foi descoberto na região de Arouca, perto de Aveiro, por uma equipa de paleontólogos espanhóis e portugueses. Entre os fósseis encontrados estão também os maiores exemplares conhecidos. Isto porque até agora, os restos destes seres pré-históricos, que dominaram os mares até há 250 milhões de anos, não ultrapassavam os 10 centímetros de comprimento, mas os de Arouca chegam aos 30. Alguns restos mostram que os exemplares podiam atingir mesmo os 90 centímetros. A descoberta foi publicada na revista Geology.
... e baptizou nova espécie de dinossauro
Mas no das descobertas pré-históricas, o País foi mais além, baptizando um novo dinossauro o Miragaia longicollum. A nova espécie foi descoberta na Lourinhã pela equipa do paleontólogo Octávio Mateus, do museu daquela localidade e da Universidade Nova de Lisboa. Este é um novo estegossauro que os seus descobridores baptizaram de Miragaia longicollum, um nome cheio de significados. Entre eles, o de pescoço comprido, uma das imagens de marca da espécie. O artigo descrevendo o novo dinossauro, que viveu no Jurássico Superior (há 150 milhões de anos), publicado na Proceedings of the Royal Society, pela equipa liderada por Octávio Mateus, culminou um trabalho de dez anos.
32 novos planetas com a marca de um português
Em 2009 foi anunciada a descoberta de 32 planetas fora do sistema solar. O responsável pela divulgação, que aconteceu no Porto, foi Nuno Cardoso Santos, investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto e membro da equipa que fez a descoberta e que fez com que a barreira dos 400 planetas extra-solares "tenha sido ultrapassada". Os planetas encontrados são "gigantes", como explicou o cientista: "A maioria é semelhante a Júpiter", explicou o investigador português.
Trabalham em Portugal os melhores em cardiotocografia
João Bernardes e Diogo Ayres de Campos, obstetras, professores e investigadores do Departamento de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, foram considerados, respectivamente, o primeiro e terceiro melhores inves- tigadores do mundo em cardiotocografia pela BioMedExperts. A cardiotocografia é a monitorização contínua da frequência cardíaca do feto e das contracções uterinas da grávida. Com este exame, cujo resultado é semelhante a um traçado de eletrocardiograma, o médico pode avaliar se o cérebro do feto não está a receber oxigénio suficiente por motivos da placenta, de posicionais ou compressões do cordão umbilical, detectando situações como o "cordão enrolado no pescoço". O título foi atribuído pela BioMedExperts, uma comunidade online que junta, via Internet, 1,5 milhões de cientistas de todo o mundo. João Bernardes e Diogo Ayres de Campos criaram, em colaboração com o Instituto de Engenharia Biomédica (INEB), um programa informático de grande impacto na prática clínica na área da obstetrícia - o OmniView-SisPorto. Este programa efectua uma leitura dos sinais provenientes do feto, identificando situações relacionadas com a baixa oxigenação. O sistema emite ainda alertas automáticos que são recebidos pelos profissionais de saúde em qualquer ponto com acesso à rede informática hospitalar ou à Internet.
Descoberta nova espécie...
Carlos Afonso, um biólogo do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve descobriu, durante um mergulho, uma nova espécie de búzio. O minúsculo Fusinus albacarinoides foi encontrado durante um trabalho de campo em 2009 e que tinha como objectivo traçar um mapa da biodiversidade da costa algarvia. Foi a primeira vez que este gastrópode foi identificado e registado a nível mundial. "Começámos a descobrir indivíduos desta nova espécie a partir de 2002 e 2003, entre as zonas marítimas de Albufeira e Armação de Pêra", disse Carlos Afonso. A nova espécie tem cerca de vinte milímetros de comprimento e oito de diâmetro. E embora o género Fusinus seja bastante comum e exista um pouco por todo o mundo, a nova espécie foi, para já, apenas identificada na costa algarvia, diz a equipa de biólogos da Universidade do Algarve. "Acreditamos que é endémica da nossa costa", frisou o biólogo que, apesar de ter 36 anos, já não é um novato na matéria de descobertas.
Ajudar a controlar as células imunitárias
Ainda no campo da saúde, outra descoberta portuguesa de 2009 correu mundo. Uma equipa de investigadores da Unidade de Imunologia Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa descobriu como se podem identificar e controlar células imunitárias. O objectivo é conseguir levar os linfócitos T a actuar apenas contra as infecções e para que não promovam doenças auto-imunes como a diabetes. Tratam-se de células responsáveis pela defesa do organismo contra infecções ou pelo desenvolvimento de doenças auto-imunes. A descoberta feita vem com o objectivo de controlar os linfócitos T para actuarem contra infecções e não para promoverem doenças como a diabetes. O estudo, realizado em Portugal por especialistas nacionais em colaboração com equipas estrangeiras, foi publicado na edição online da prestigiada revista científica Nature Immunology. "Descobrimos uma maneira de diferenciar duas populações de linfócitos T que produzem factores com actividades biológicas distintas", disse o responsável pela equipa, Bruno Silva Santos.
Novo tratamento para o Alzheimer e Parkinson
Investigadores portugueses lideram um consórcio europeu de cinco parceiros criado para produzir um novo medicamento com propriedades analgésicas e que poderá ser usado na terapia das doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. O projecto para desenvolver um novo produto arrancou no ano passado e deverá durar quatro anos. Miguel Castanho, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, explicou que o novo medicamento resultou da transformação de uma molécula isolada do cérebro de mamíferos por cientistas japoneses nos anos 70, mas posteriormente abandonada por falta de interesse farmacológico. O que este grupo de investigadores conseguiu foi "transformar a molécula de modo a poder ser introduzida na corrente sanguínea, passando daí ao cérebro, mantendo as suas propriedades analgésicas e de protecção contra as doenças neurodegenerativas".
Telhas 'bonitas' e que alimentam o resto da casa
E quem pensa nas telhas de uma qualquer casa assume apenas o papel de proteger a casa do clima, engana-se. Um grupo de investigadores das universidades do Minho e da Nova de Lisboa apostam no contrário e estão a desenvolver um projecto de construção de telhas, mas com capacidade de produção de energia fotovoltaica. Um dia destes, todo o telhado de uma habitação será o seu principal ponto de fornecimento de energia, garantem os especialistas. Este projecto, na fase de protótipo, mas já a despertar interesse de várias empresas, é ainda um segredo bem guardado. E é aqui que "entra" um outro projecto Solar Tiles. Esta tecnologia, tem sido alvo de grande interesse por ser gerador de "uma energia eléctri-ca amiga do ambiente e econo-micamente atractiva". Mas apesar da utilidade, a sua aparência inestética pode ser um entrave à comercialização. Para isso tem vindo a criar-se um novo conceito, Building Integrated Photovoltaics, que consiste em aplicar estes equipamentos como elementos estruturantes dos edifícios, substituindo os materiais convencionais.

20100102

Applied Climate-Change Analysis: The Climate Wizard Tool

http://www.climatewizard.org/ - a aplicação



http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0008320 - o artigo

Girvetz EH, Zganjar C, Raber GT, Maurer EP, Kareiva P, et al. (2009) Applied Climate-Change Analysis: The Climate Wizard Tool. PLoS ONE 4(12): e8320. doi:10.1371/journal.pone.0008320




Applied Climate-Change Analysis: The Climate Wizard Tool



Background


Although the message of “global climate change” is catalyzing international action, it is local and regional changes that directly affect people and ecosystems and are of immediate concern to scientists, managers, and policy makers. A major barrier preventing informed climate-change adaptation planning is the difficulty accessing, analyzing, and interpreting climate-change information. To address this problem, we developed a powerful, yet easy to use, web-based tool called Climate Wizard (http://ClimateWizard.org) that provides non-climate specialists with simple analyses and innovative graphical depictions for conveying how climate has and is projected to change within specific geographic areas throughout the world.




Methodology/Principal Findings
To demonstrate the Climate Wizard, we explored historic trends and future departures (anomalies) in temperature and precipitation globally, and within specific latitudinal zones and countries. We found the greatest temperature increases during 1951–2002 occurred in northern hemisphere countries (especially during January–April), but the latitude of greatest temperature change varied throughout the year, sinusoidally ranging from approximately 50°N during February-March to 10°N during August-September. Precipitation decreases occurred most commonly in countries between 0–20°N, and increases mostly occurred outside of this latitudinal region. Similarly, a quantile ensemble analysis based on projections from 16 General Circulation Models (GCMs) for 2070–2099 identified the median projected change within countries, which showed both latitudinal and regional patterns in projected temperature and precipitation change.




Conclusions/Significance
The results of these analyses are consistent with those reported by the Intergovernmental Panel on Climate Change, but at the same time, they provide examples of how Climate Wizard can be used to explore regionally- and temporally-specific analyses of climate change. Moreover, Climate Wizard is not a static product, but rather a data analysis framework designed to be used for climate change impact and adaption planning, which can be expanded to include other information, such as downscaled future projections of hydrology, soil moisture, wildfire, vegetation, marine conditions, disease, and agricultural productivity.

20100101

Climate through time: our rocks reveal the story of change

http://www.bgs.ac.uk/education/climate_change/climate_through_time.html

Climate through time: our rocks reveal the story of change



Earth's climate has changed throughout the billions of years of our planet's geological history. Evidence for past climates — including the extreme conditions linked to mass extinctions — can be found in the rocks around us.
Many rock-forming environments are directly influenced by climate. Were your local rocks formed in a desert, or a tropical swamp, or on a cold seabed? And what evidence can we find to show that these environments really existed millions of years ago? You can now find out, using this new poster which illustrates the links between our planet's changing climate, and the different rocks which formed as environmental conditions varied through geological time.

20091229

Jardim Botânico de Londres anuncia descoberta de 250 novas espécies em 2009

Jardim Botânico de Londres anuncia descoberta de 250 novas espécies em 2009

28.12.2009
PÚBLICO


http://www.kew.org/science/new-discoveries/?lat=5.4419&lng=40.3046&zoom=2


O Kew Gardens, jardim botânico de Londres, anunciou que, ao longo de 2009, os seus biólogos e botânicos descobriram e descreveram 250 novas espécies de plantas e fungos em vários locais do planeta.
Entre as novas espécies encontram-se orquídeas, árvores que crescem até aos 42 metros de altura e fungos minúsculos com menos de um milímetro de espessura. A lista inclui 24 novas espécies de palmeiras, 13 novas espécies de orquídeas e uma nova espécie de maracujá da Amazónia, encontrada em Mato Grosso.

As descobertas foram feitas em vários locais do planeta e com a colaboração de peritos de cem países, sendo que o maior número de espécies novas (62) foi encontrado no Bornéu. O Brasil registou a descoberta de 20 novas espécies.

Os investigadores do Kew Gardens – que descobrem, em média, 200 novas espécies de plantas por ano - acreditam que um terço deste grupo de 250 estará ameaçado de extinção.

“Este trabalho nunca foi tão importante”, escreve o jardim botânico em comunicado, lembrando que o planeta vive numa era de alterações climáticas globais e de perda da biodiversidade.

Todos os anos são descobertas, em média, cerca de duas mil novas espécies vegetais. “Estas novas descobertas salientam o facto de que há ainda há muito no mundo das plantas para ser descoberto e documentado. Sem saber o que existe e onde ocorre não temos nenhuma base científica para uma conservação efectiva”, comentou Stephen Hopper, director do Kew Gardens.

Este jardim botânico criou o programa Breathing Planet para “acelerar a descoberta e classificação da diversidade vegetal e para encontrar soluções para a sua conservação”, acrescenta. Hopper.

ver também: http://www.kew.org/science/new-discoveries/


"Vamos tornar-nos super-sapiens cabeçudos": **entrevista a Yves Coppens*



*Público*, 29/12/09, por Ana Gerschenfeld

Quem somos, donde viemos, para onde vamos? Estes foram alguns temas da conversa que tivemos há dias, em Lisboa, com o paleontólogo francês Yves Coppens, que falou com o P2 entre uma conferência sobre os mamutes e outra sobre o "acontecimento Homo".



"Crânio pequeno", comenta em voz baixa Yves Coppens. Está a olhar para o retrato de um personagem do século XVIII, pendurado na sala da Embaixada de França onde nos encontramos. "Desculpe", acrescenta logo, mas explica que não consegue deixar de ver os ossos por baixo da pele e dos músculos quando olha para uma cara. Mesmo que seja um retrato. Coppens, paleontólogo há 50 anos, gosta de contar histórias da sua vida científica e conta-as muito bem.
Na véspera, no Instituto Franco-Português, em Lisboa, com o seu ar de Pai Natal e a sua voz suave, deleitou a assistência durante duas horas com a descrição dos seus trabalhos de juventude sobre os mamutes e os elefantes.
Mas a sua grande descoberta foi Lucy, o celebérrimo esqueleto deAustralopithecus afarensis, encontrado em 1974, quando Coppens dirigia, com vários colegas, uma expedição científica internacional ao deserto de
Afar, na Etiópia. E hoje ainda, aos 75 anos, continua a viajar para lugares recônditos e inóspitos do planeta à procura das origens dos homens.

Qual é, em grandes linhas, a história mais provável da origem e da disseminação geográfica de Homo sapiens?

O homem é um primata e a sua história está ligada à dos primatas. Os primatas aparecem há uns 70 milhões de anos e surgem porque nessa altura - há sempre uma razão ambiental - aparecem as plantas com flores. As plantas com flores fazem frutos. De facto, os primatas são animais insectívoros que se adaptaram ao consumo de frutos e à vida nas árvores. Aliás, ainda temos em nós os vestígios disso tudo: continuamos a comer fruta, temos os olhos à frente do rosto para apreciar as distâncias (o que é bom para saltar de ramo em ramo), vemos às cores, o que é útil para saber se a fruta está madura ou não.

A vida nas árvores dos nossos antepassados também ficou registada na nossa clavícula - que não é feita para abraçar melhor os amigos, mas para abraçar melhor as árvores e conseguir trepar. Temos cinco dedos para agarrar coisas e se perdemos as garras e adquirimos unhas, também foi para facilitar a subida. Todos estes sinais anatómicos remontam à época da passagem dos insectívoros para os primatas.

Damos agora um grande salto e chegamos a dez milhões de anos atrás, quando a família dos grandes símios africanos, nomeadamente os chimpanzés, se separa da nossa família. E nessa altura, sem dúvida também por razões ambientais, uns continuam a viver num meio coberto, florestal, denso, enquanto os outros - nós - passam para um meio menos coberto, uma floresta menos densa ou uma savana arborizada. É aí que começa a aparecer uma série de pré-humanos, que são preciosos porque nos fornecem informações sobre o nosso passado próximo.
São os fósseis de Tumai, com sete milhões de anos [descobertos no Chade em 2001], de Orrorin, com seis milhões de anos [2000, Quénia], os ardipitecos, com 5,8 a 4,4 milhões de anos, os australopitecos como a Lucy [3,2 milhões de anos], etc. Estes hominídeos ainda não são humanos.

Que características têm?

São todos tropicais, surgem todos em África, têm um encéfalo que tende a desenvolver-se aos poucos, uma face que vai aos poucos perdendo o focinho para se tornar mais plana, andam todos de pé. No início, são bípedes e
arborícolas ao mesmo tempo - andam a pé mas continuam a trepar às árvores.
Mas há uns quatro milhões de anos, acabam por se virar exclusivamente para a marcha, abandonando os ramos. Estas espécies são o viveiro, o bouquet de formas que precede a Humanidade. Entre eles está Lucy, a minha preferida.

De quem falaremos mais adiante...

Chegamos assim a uns três milhões de anos atrás - e é aí que um desses pré-humanos se torna homem. Mais uma vez, por causa de uma mudança climática - e neste caso, para se adaptar a um aquecimento. Isto acontece há 2,7 ou 2,8 milhões de anos. Eu estudei esta questão e mostrei a correlação entre as mudanças climáticas e a origem do homem. O homem aparece porque um pré-humano teve a obrigação de se adaptar a uma mudança ambiental; a transformação de pré-humano em humano é uma adaptação ambiental.

O que distingue o pré-humano do humano?

Duas coisas essenciais. Como vimos, o pré-humano já estava de pé, era exclusivamente bípede, mas desta vez, são os dentes que mudam: tornam-se dentes de omnívoro. Como há menos vegetais [devido ao aquecimento], esse pré-humano começa também a comer carne. O seu cérebro também se desenvolve nitidamente, tanto do ponto de vista volumétrico como da sua complexidade.
Como os cérebros dos nossos antepassados já desapareceram, fazem-se moldes da cavidade que ocupavam no crânio e os moldes mostram uma crescente complexidade dos lobos cerebrais e da irrigação sanguínea, que deixaram as suas marcas na face interna da caixa craniana.

Por sua vez, o desenvolvimento do cérebro, que é a forma de adaptação escolhida por aquela personagem - o Homo habilis - traz com ele a consciência, o que é realmente extraordinário. Significa que em vez de saber
- como Lucy provavelmente sabia -, graças a um bocadinho de córtex a mais, a um punhado de células cerebrais a mais, o Homo habilis sabe que sabe, como uma espécie de retorno em espelho. E, sabendo que sabe, pode antecipar o futuro, pode imaginar coisas. É a partir dessa altura que, em vez de utilizar simplesmente os objectos à sua volta, começa a transformá-los. E isso muda tudo. "More is different", como dizem os ingleses. Apenas um
bocadinho de cérebro a mais e sobe-se logo para o nível acima. Acontece como nos impostos: basta ganhar mais uns cêntimos para passar para o escalão superior e pagar três vezes mais (acabei de pensar nisso agora mesmo). O mesmo acontece com a vida: com um pequeno acrescento, o cérebro torna-se capaz de reflexão.

Portanto, o homem aparece nos trópicos, em África, onde viveram todos os seus predecessores, incluindo o pré-humano que se tornou homem, e vai espalhar-se geograficamente, primeiro por esse continente fora e depois pela
Eurásia.

É, portanto, o Homo habilis que começa a viajar.

Sim, penso que sim. Há quem tenha dito que foi o Homo erectus [mais tardio], mas não há qualquer razão para que o Homo habilis tenha ficado lá à espera, a pensar "quando for erectus, vou começar a mexer-me" [ri-se].

E essa migração acontece porquê?

Acho que tem a ver com a procura de alimentos, numa altura em que a demografia começa lentamente a crescer. Quando um grupo destes humanos caçadores-recolectores atinge um certo patamar numérico, alguns deles têm de formar um novo grupo noutro sítio. E quando esse grupo atinge, por sua vez, o patamar, um novo grupo desloca-se para um pouco mais longe. Fala-se em 50 quilómetros por geração, o que significa que foram precisos 15 mil anos para passar dos trópicos para a Europa. Como as técnicas de datação não são tão finas, não os vemos a deslocar-se; vemo-los ali e depois vemo-los aqui - e entretanto, passaram-se 15 mil anos.

Mas então, onde aparece pela primeira vez o Homo sapiens?

É preciso não esquecer que os territórios na altura eram imensos: abrangiam a totalidade da África e Eurásia. Os diversos grupos estavam isolados uns dos outros e isso conduziu a uma diversificação das espécies humanas. O Homo habilis inicial tornou-se Homo erectus em cada sítio onde estava - e, por sua vez, o Homo erectustornou-se Neandertal na Europa (que funcionava como uma ilha na época das glaciações), sapiens em África e na Ásia continental, Homem de Java na ilha de Java e Homem das Flores na ilha das Flores. Há sem dúvida outros, cujos fósseis vamos encontrar um dia.

Esta diversificação humana aconteceu há quanto tempo?

Há 50 a 100 mil anos. Mas a difusão do homem começou dois milhões de anos mais cedo e a sua diversificação há mais de um milhão de anos. Há quem diga que o Neandertal tem 200, 300 ou mesmo 400 mil anos. Os mais arrojados dizem 500 mil - e eu digo que tem muito mais. E desses quatro tipos de humanos (Neandertal, sapiens, Java, Flores) só o Homo sapiens é que se vai deslocar (há 40 a 60 mil anos).

O Homo sapiens espalha-se a partir da África?

Da África e da Ásia (China, Mongólia, Sudeste asiático). Passa para a América, onde não há ninguém, para a Austrália, onde também não há ninguém.
Mas também para Java, Flores e para a Europa, onde já há outros homens. Em todas as regiões onde já existem populações, o Homo sapiens vai coabitar com elas e acabar por as eliminar, por assim dizer. A prazo, o Neandertal, o Homem de Java e o de Flores desaparecem e só resta o Homo sapiens. É por isso que somos todos sapiens.

Foi um dos descobridores de Lucy, com o norte-americano Donald Johanson e outros. Quando encontraram a Lucy, perceberam logo a sua importância?De maneira nenhuma. Eu já trabalhava, na altura, no Sul da Etiópia, onde já tinha encontrado fósseis de hominídeos. E sabia que os fósseis do deserto de Afar tinham a idade certa para conter também fósseis de hominídeos. Aliás, num colóquio antes da nossa expedição, tinha mesmo anunciado que iríamos lá encontrar hominídeos. Não falhou. Mas era previsível.

Quando começámos o trabalho em Afar, em 1972, encontrámos muitos vertebrados, mas nenhum hominídeo. Mas logo em 1973 começámos a encontrar alguns fósseis de hominídeos e nos anos seguintes ainda mais. Começámos por encontrar um bocado de osso temporal e um joelho, que baptizei "o joelho de Claire" [do título de um filme de Eric Rohmer]. Portanto, quando dois jovens da nossa equipa encontraram os primeiros fragmentos de Lucy, pareceu-nos interessante, mas nada de extravagante.

Quando voltámos ao local, em 1974, e fomos desenterrando mais fragmentos, vimos que eles tinham mais ou menos o mesmo calibre e a mesma cor, a mesma densidade e que as suas dimensões eram compatíveis com o facto de terem pertencido a um único e mesmo esqueleto. No início, Lucy era apenas o AL-288 - um conjunto de fósseis encontrados numa dada localidade de Afar. Aos poucos, fomos percebendo que se tratava provavelmente de um único indivíduo.
E isso permitiu-nos obter uma silhueta. De repente, ficámos com uma ideia da sua altura - 1,10 a 1,20 metros -, do seu peso (20 a 25 quilos) e também das articulações e da proporção das suas extremidades superiores em relação às inferiores. Foi assim que vimos que as curvas da coluna vertebral, a forma muito achatada da bacia mostravam que esse ser andava de pé. Mas, por outro lado, as articulações do úmero e do joelho mostravam que era arborícola. Era a primeira vez que se descobria no mesmo esqueleto sinais de bipedismo e de vida nas árvores. Era uma demonstração inesperada e fantástica do estado intermédio entre o carácter arborícola de antes e o bipedismo de depois.

Por que lhe chamaram Lucy?

Lucy era o fóssil 288. Na grande tenda-laboratório onde marcávamos os fósseis, que não era uma tarefa muito divertida, costumávamos conversar ou ouvir rádio ou cassetes de Bach, Mozart, dos Beatles. Acontece que no dia em que marcámos o osso da bacia e percebemos que era do sexo feminino, estávamos a ouvir Lucy in the sky with diamonds, dos Beatles. A partir daí, 288 passou a chamar-se Lucy, que era, admitamos, uma designação mais elegante.

Foi recentemente publicado o estudo de uma outra hominídea fóssil, Ardi (ardipiteco), cujos ossos sugerem que nós, humanos, somos muito mais parecidos com o antepassado comum ao homem moderno e aos chimpanzés do que os próprios chimpanzés. Ou seja, que foram os chimpanzés que divergiram muito a partir desse antepassado comum e não nós, como se pensava. O que acha desta teoria?

Penso, o que não é novo, que os chimpanzés também se especializaram. Ou seja, que essa maneira que têm hoje de se erguer de vez em quando ou de andar nas quatro patas apoiando-se nos nós dos dedos das mãos é muito específico dos chimpanzés. Isso já se sabia, mas é verdade que se pensava que o antepassado comum teria mais a silhueta de um chimpanzé. Ardipiteco mostrou que não era bem assim. Mas a mim agrada-me essa especialização em duas direcções, ao mesmo tempo na direcção dos pré-chimpanzés e dos chimpanzés, por um lado, e na direcção dos pré-humanos e dos humanos por outro.

O facto de o registo fóssil da Humanidade ser tão fragmentado, tão incompleto, deve ser frustrante. Pensa que a genética vai conseguir fornecer respostas que faltam para colmatar as brechas?

Colmatar as brechas não me parece, porque será sempre precisa uma demonstração paleontológica para ter a certeza do que a genética nos diz. Mas todas essas ciências, genéticas ou moleculares, são preciosas porque
fornecem elementos novos. Portanto, os paleontólogos permanecem atentos aos dados vindos dessas ciências.

Tem dito que não gosta muito da teoria darwiniana porque, nela, o acaso parece funcionar bem de mais. Pode explicar?

A ideia de Darwin da selecção natural é uma realidade, mas a evolução é um fenómeno complexo que não se explica só pela selecção natural. Eu acho que Darwin era um homem de grande qualidade, de grande lucidez e clareza de pensamento, que fez um grande trabalho - um homem de síntese por excelência.
O que eu digo é que, no terreno, sempre vi os animais transformarem-se no bom sentido. Portanto, eu era sobretudo crítico da interpretação genética [que diz que a selecção natural opera sobre mutações aleatórias], porque me parecia que as mutações aleatórias eram demasiado boas - que o acaso fazia demasiado bem as coisas, por assim dizer.

Christian de Duve, o Prémio Nobel de Medicina, deu-me uma explicação interessante. Segundo ele, é preciso ter em conta o stress induzido pelas mudanças climáticas. Nessas condições, as mutações continuam a ser aleatórias, mas aparecem às centenas ao mesmo tempo. E quando isto acontece, o acaso fornece uma escolha muito maior [à selecção natural]. Acho que isto permite em parte explicar por que é que, no terreno, as coisas não parecem ser o fruto do acaso. Quando a escolha é possível entre 500 opções, é mais fácil acertar no alvo do que quando só existem duas opções.

Há quem diga que os humanos já não evoluem - e outros que afirmam que os nossos genes nunca tinham evoluído tão depressa como nos últimos 1000 a 2000 anos, nomeadamente por causa da mudança de dieta, da explosão demográfica, etc. Acha que ainda estamos a evoluir?

Continuamos com certeza a evoluir. Mas com um pouco menos de ruído. E é verdade que a cultura, que tem funcionado como um ecrã entre a solicitação ambiental e a resposta da nossa anatomia, tem limitado os estragos, por assim dizer.

E como vamos evoluir?

Vamos transformar-nos noutra coisa. Não em mil ou dois 2000 anos, mas mais para a frente: vejo um desenvolvimento do encéfalo, do cérebro, que se vai tornar mais complexo, mais denso, mais rico em neurónios, com mais sinapses, mais volumoso também - o que quer dizer partos mais problemáticos. Mas isso pode resolver-se naturalmente com uma redução do tempo de gestação, dando ao crânio da criança a possibilidade de crescer tranquilamente fora da barriga da sua mãe.

Vamos transformar-nos em super-sapiens?

Sim, vamos tornar-nos super-sapiens cabeçudos. Em vez de termos 1500 centímetros cúbicos de volume  craniano, o que não é nada, vamos ter 5000 cc.

Mas não vamos conseguir mexer-nos!

Sim, vamos. Lucy tinha apenas 400 cc! Se ela estivesse cá e visse o tamanho das nossas cabeças, ou acharia graça ou ficaria muito assustada - ou morria a rir ou fugia a sete pés.

Outros caracteres físicos terão de evoluir também para suportar o cérebro.

Forçosamente. Os caracteres evoluem em função uns dos outros. Mas só até certo ponto, uma vez que precisamos de conseguir estar de pé ou sentados. Eu teria gostado que a roda aparecesse na anatomia humana, mas isso nunca aconteceu...

O que faz actualmente?

De há dez anos para cá tenho-me dedicado a escavar o permafrost da Sibéria e da Mongólia, à procura de mamutes. O último que encontrámos, e que ainda não vi, tem 47 mil anos. Outros têm entre 15 mil e 25 mil anos.

Então já não se interessa pelo homem?

Pelo contrário. Imagine o que seria encontrar, ao pé de um mamute, um caçador - ou uma caçadora - perfeitamente conservado, durante milhares e milhares de anos, a 15 graus negativos!